Da última vez que você foi para uma boate de “danças exóticas”, você deu uma gorjeta mais alta para uma das dançarinas e não sabe porquê? Eis a resposta:

Um estudo publicado na revista científica Evolution and Human Behaviour deste mês, mostrou que strippers ovulando conseguem mais dinheiro por turno do que strippers na fase pós-ovulatória ou na menstruação.

Os cientistas recrutaram 18 strippers que anotaram os seus ganhos durante 60 dias. As dançarinas exóticas ganhavam em média de US$ 185 durante a menstruação por turno de 5 horas, US$ 260 durante o período pós-ovulatório e US$ 335 durante os dias em que estavam ovulando, cerca de 80% a mais do que quando estavam menstruadas!!!

Curiosamente, as strippers que tomavam pílulas anti-concepcionais e, portanto, não ovulavam, não apresentaram estas diferenças marcantes. Este estudo mostra evidência de estrus em seres humanos modernos. Estrus é um período no qual as fêmeas de uma espécie estão mais receptivas sexualmente. Em algumas espécies o estrus é indicado por mudanças físicas, como o inchaço das partes baixas em babuínos fêmeas.

Fontes: Scientific American e Evolution and Human Behaviour.

Depois da pesquisa com os pinguins, a minha pesquisa predileta a ganhar um IgNobel foi a do Dr. Moeliker. Dr. Moeliker é um ornitologista curador do museu de história natural de Roterdã. O museu sofreu uma extensa reforma que adicionou à sua fachada uma extensa parede de vidro. Como vidro e aves não se misturam, de vez em quando ocorrem colisões. O Dr. Moeliker, como bom cientista, aproveita as colisões para adicionar espécimes à sua coleção de aves. Um dia, Dr. Moeliker foi investigar mais uma colisão quando ele presenciou uma das cenas mais bizarras de sua vida. Eis o resumo do trabalho que ele publicou sobre o evento:

No ida 5 de Junho de 1995, um pato macho adulto (Anas platyrhynchos) colidiu com a fachada de vidro do Natuurmuseum Rotterdam e morreu. Um segundo pato macho violou o cadáver por quase 75 minutos consecutivos quando o autor interrompeu a cena e recolheu o pato morto. Dissecção mostrou que a vítima de estupro era realmente do sexo masculino. Foi concluído que os patos estavam envolvidos em uma tentativa de estupro em vôo que resultou no primeiro caso descrito de necrofilia homossexual em patos.

O artigo continua descrevendo os 75 minutos no qual o pato estuprava o presunto de pato (praticamente interrupto, com fortes bicadas nas costas e na cabeça e apenas duas paradas breves) e falando que estupro em patos não é incomum nem o comportamento homossexual (2 a 19% de todos os casais). Necrofilia também já havia sido observada mas a combinação dos três eventos foi inédita.

O que agrada tanto esta história nem é o fato bizarro em si mas a atitude do Dr. Moeliker de não perder o profissionalismo e observar atentamente o fenômeno à sua frente e publicá-lo. Bons cientistas não perdem oportunidades de descobrir algo novo.

O curioso é que o Dr. Moeliker virou uma espécie de especialista em pássaros bizarros. Um dos pássaros que ele estuda atualmente é um pardal que vive colidindo com a mesma porta de vidro. Ele vai em direção à porta de vidro e colide com ela a cada dois minutos nos últimos dois anos!!!!

Oceano: Vida Escondida é uma exposição de fotos que está acontecendo em São Sebastião (SP). As fotos, belíssimas, são de organismos que podem ser encontrados no mar. Alguns dos organismos são microscópios, outros são desconhecidos da maior parte das pessoas. Para quem não pode ir a São Sebastião, visite a página da exposição - que tem fotos até para fazer papel de parede - ou o blog OrgaNelas - que tem um slideshow e fotos dos bastidores. Vale a pena e é tudo de grátis!

A exposição vai até 19 de outubro de 2007.

Segunda a sexta-feiras, das 09h às 17h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 22h

Endereço: Secretaria de Cultura e Turismo (Sectur),
Avenida Dr. Altino Arantes, 174 (Rua da Praia)
Centro, 11600-000
São Sebastião, SP, Brasil

Minha esposa achou este texto enquanto limpava o computador antigo. Foi um texto que escrevi uns seis anos atrás para algum concurso. Notem que eu usava ainda mais vírgulas do que uso hoje.
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Sou cientista. Qualquer um pode ser. Acredito mais na Ciência do que na Religião por muitas razões, uma delas é porque ela não acredita em nada que foi “provado cientificamente”.

Acredito mais na Ciência porque a Ciência diz “eu errei” e do seu erro, intríseco, vem a sua beleza. Se da eterna busca por derrubar seus deuses é que se constrói a Ciência; é pela eterna busca de justificar os seus é que algumas religiões destróem.

Acredito mais na Ciência porque ela permite que inventemos livremente perguntas e respostas. Porque “não sei” é uma resposta aceitável e porque, se a Religião está atrás das respostas da Vida, Universo e Tudo mais, a Ciência está atrás das suas perguntas. A Ciência é, no mínimo, mais divertida.

Acredito mais na Ciência não por ela não ter Dogmas, ritos ou
superstição - ela os têm - mas porque podemos questioná-los se quisermos e podemos até, se ousados, ignorá-los.

Acredito mais na Ciência porque, afinal, Deus é um grande cientista.

Tivemos na semana passada o anúncio dos ganhadores do prêmio Nobel. Tão esperado quanto o anúncio dos ganhadores do Nobel, são os ganhadores do IgNobel.

Os prêmios IgNobel são oferecidos pela revista de humor Anais das Pesquisas Improváveis (Annals of Improbable Research) a pesquisadores que publicaram estudos “que primeiro nos fazem rir e depois pensar”. A idéia dos organizadores não somente tirar sarro dos pesquisadores, como alguns pensam, mas mostrar que até o tópico de pesquisa mais ridícula pode trazer conhecimento novo (às vezes o prêmio é dado como protesto, como para o dado aos estados americanos que baniram o ensino de Evolução). O prêmio IgNobel tem um papel importante para a divulgação da Ciência de forma bem humorada, com destaque para a brilhante cerimônia de premiação, cujo convite é disputado a tapas e bate recordes de audiência na internet.

Alguns ganhadores do prêmio:

IgNobel da aviação (2007) - pela descoberta de que os hamsters se recuperam do jetlag mais rapidamente com Viagra.

IgNobel de Biologia (2007) - pela descrição da fauna e flora (algas, fungos, ácaros e pseudoescorpiões, etc.) que vive nas camas dos holandeses.

IgNobel de Acústica (2006) - pelo estudo do porquê as pessoas têm aflição ao som de unhas arranhando o quadro negro.

IgNobel de Ornitologia (2006) - pelo estudo do porquê os pica-paus não têm dor de cabeça.

IgNobel de Dinâmica de Fluidos (2005) - pela descrição das pressões produzidas quando os pinguins defecam. Acreditem ou não, eles conseguem expelir um material altamente viscoso (tipo azeite) a uma distância de cerca 40 cm!!!! Clique aqui para o trabalho.


IgNobel de Saúde Pública (2004) - pelo teste da regra dos 5 segundos. Para quem não sabe, quando um alimento cai, ele pode ficar até 5 segundos no chão antes dele se contaminar. Pelo que eu me lembre, esta regra vale para a maior parte dos pisos.

IgNobel de Biologia (2003) - pela descrição do primeiro caso cientificamente observado de necrofilia homossexual entre patos. O cara trabalha em um museu com muitos vidros e, sempre que ele ouve algo batendo em um deles, ele vai coletar o espécime abatido. No dia da ocorrência, quando o biólogo chegou no pato morto, ele viu que havia um segundo pato copulando com o presunto, digo, pato. Qual não foi a surpresa dele quando ele notou que ambos eram machos! O melhor foi a presença de espírito de documentar o causo e tentar publicá-lo! Valeu um IgNobel!

Os ganhadores deste ano aqui.

Quando eu era criança, eu era fissurado por dinossauros. De todos, o que eu mais gostava era o brontossauro. Existe um animal mais legal do que um dinossauro do tamanho de uma baleia azul e com o pescoço de uma girafa? Além do mais, eu tinha brontossauro daqueles esqueletos e madeira.

Apesar dessa paixão inicial, não me tornei um paleontólogo. Me tornei, no entanto, um biólogo, mais precisamente, um botânico. Os brontossauros, tadinhos, foram relegados à categoria de nomes obsoletos, junto com Plutão (meu eterno pequeno planeta perdido). Hoje em dia os brontossauros são chamados de apatossauros (teremos um post sobre isso depois), mesmo assim eles ainda populam minha imaginação.

Este blog surgiu porque quis escrever sobre coisas mais sérias do que as coisas do Guto e Dadá. Não me restringirei à Biologia, apesar desse ser o tema principal.

Bem-vindos ao meu jardim!

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