Um feixe de prótons e uma webcam, quem ganha? O feixe de prótons, é claro. O legal disso tudo é que no vídeo acima você confere segundo a segundo a tortura a que a webcam foi submetida, enquanto os prótons surgem como diversos pontos brancos na imagem.
Alguns pontos ficam mais alongados, como riscos, e são as partículas atingindo o sensor da webcam de forma oblíqua. E, pobre webcam, alguns pontos ficam permanentemente brancos. São pontos do sensor de imagem que foram efetivamente “queimados”, danificando permanentemente a câmera.
Você também pode escutar as partículas como um ruído no áudio, e tudo é uma boa demonstração da equipe trabalhando na missão do Lunar Reconnaissance Orbiter e os instrumentos que devem medir a radiação lá pelo nosso satélite.
De forma curiosa, algo similar ocorre com astronautas que vão ao espaço, que relataram ver estranhos flashes, explicados como resultado de raios cósmicos atingindo diretamente a retina ou os nervos óticos. Mas assim como tais partículas altamente energéticas danificam permanentemente a webcam, você pode imaginar que os efeitos não só na retina, como no cérebro e todo o corpo dos astronautas não são nada bons.
Como realmente não são. A radiação cósmica a que os astronautas ficam expostos é um dos maiores obstáculos para as viagens espaciais de longa duração.
Confira nosso post anterior sobre a incrível história do homem que foi atingido pelo feixe concentrado de um acelerador de partículas. [via MAKE]
Ela é loira. É do leste europeu. É uma supermodelo, eleita a mulher mais sexy do mundo pelo canal E!. Ela é Karolina Kurková.
E ela não tem umbigo. Não é um desastre Photoshop: Kurkova realmente não possui nenhuma reentrância na barriga. Incrivelmente, Photoshop costuma ser usado para adicionar um umbigo virtual na modelo em fotos. Ao natural, não há nada.
Ao contrário da monstruosidade chamada Gemma Arterton, a imperfeição de Kurkova não seria propriamente genética, mas uma má-formação. Médicos sugerem que a modelo tcheca pode ter sofrido de hérnia umbilical, e o que restou após uma cirurgia corretiva foi essa ausência de umbigo. Assessores da modelo já admitiram que o umbigo ausente foi resultado de uma cirurgia a que ela foi submetida ainda bebê.
São, enfim, questões de grande relevância para o mundo, como a dialética sobre o umbigo de Adão.
E já que estamos falando de criaturas repulsivas como Kurková e Arterton, também vale atentar para esta outra deformação:
Clique para ver de quem é esse polegar estranho.
A sério, enxergamos perfeição e literalmente supermodelos de beleza nessas mulheres fabulosamente lindas, e é curioso descobrir que várias delas possuem algumas imperfeições significativas. E ainda mais interessante notar que algumas delas foram corrigidas ou atenuadas graças aos avanços da medicina.
Gemma Arterton ainda seria bonita com doze dedos e uma orelha enrugada, assim como Kurková não seria nenhuma aberração ainda que tivesse um umbigo bem saliente. Mas, por Hipócrates, que a Medicina seja Louvada.

A Bond Girl do novo filme A Quantum of Solace, Gemma Arterton, é uma mutante: nasceu com polidactilia, mais precisamente, com seis dedos em cada mão. Não apenas isto, esta aberração da natureza revelou que a condição é bem comum em sua família.
“Meu pai os tem, assim como meu avô”. Arterton também contou seus planos malignos de dominação mundial: “Sinto que estamos um passo à frente”.
A sério, seus dedos extras eram da forma mais comum, apêndices macios sem osso ao lado do dedo mindinho. Ainda bebê, os médicos os ataram e com o tempo eles caíram sozinhos, deixando somente pequenas cicatrizes.
A polidactilia da Agente Fields de 007 vem sendo comentada na mídia, e suas declarações são bem saudadas por médicos. “É minha pequena coisa estranha, de que sou mesmo orgulhosa. Torna-me diferente”.
Curiosamente, ela também teria nascido com orelhas enrugadas que foram corrigidas com mais cirurgia. “Eu nasci com um monte de deformidades”, disse.
Arrã. [via Zapato]
Qual é o maior avanço médico dos últimos 200 anos? E o que é mais importante, salvar seu filho da morte ou estar na moda? Respostas: a privada, ou melhor, o saneamento básico, e a moda, respectivamente. A primeira resposta reflete um julgamento baseado em evidências científicas, já a segunda, é a que aldeias inteiras sugeriram na prática. E elas não estão tão sozinhas.
No livro “The Big Necessity”, a jornalista britânica Rose George aborda “o mundo não mencionado dos dejetos humanos e por que ele importa”, contando suas aventuras pelo mundo – que foram desde uma visita às entranhas do sistema de esgotos de Londres até os banheiros públicos da China – bem como os inusitados resultados de pesquisas acadêmicas sobre o tema.
Em entrevista à Salon (em inglês), a jornalista lembra como o saneamento foi eleito por mais de 11.000 médicos e cientistas como o maior avanço médico desde 1840, em um concurso realizado pelo British Medical Journal no ano passado. Tratar o esgoto salvou bilhões de vidas, vencendo concorrentes mais lembrados como os antibióticos e vacinas. Rose George não brinca quando diz que “devíamos venerar a privada”. Ela pode não curar doenças, mas faz algo ainda melhor. Evita que fiquemos doentes, como o inglês John Snow descobriu ao estudar uma epidemia de cólera e inaugurar a epidemiologia.
Que o banheiro é no mínimo muito conveniente não é novidade para nós, mas o valor da peça não é tão claro para quase metade dos seres humanos no planeta. Mais de 2 bilhões e meio de pessoas não utilizam nenhum tipo de banheiro, nem mesmo latrinas ou penicos. Fazem suas necessidades em qualquer lugar, ao ar livre, e elas ficam lá, como veículo de incontáveis doenças. “Pessoas em vilas que defecam a céu aberto estão provavelmente ingerindo 10 gramas de fezes por dia”, conta Rose.
Disseminar um dos maiores avanços da medicina à outra metade do mundo é uma prioridade, e aqui voltamos às perguntas do início. Os programas tradicionais para promover o saneamento em culturas que nunca viram uma privada na vida nem se importam muito com latrinas não são muito efetivos: eles se centram em explicar às pessoas os benefícios à saúde que uma higiene básica pode oferecer.
Mas em Benin, África, “mães que não possuíam uma latrina podiam ver seus filhos adoecer com diarréia toda semana. Gastariam dinheiro com remédios e seus filhos não iam à escola, mas as mães ainda não compravam uma latrina”.
Marion Jenkins, da Universidade da Califórnia, e Val Curtis, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, descobriram que o que realmente levava as pessoas a instalar e usar latrinas era a moda e outros fatores de prestígio e conveniência. A grande motivação em Benin era se sentir “real”, porque a família real tinha uma latrina. Considerações sobre a saúde pouco influenciaram a decisão dos locais, no que Rose chama de “raciocínio dos médicos que fumam”. Sabem racionalmente as conseqüências à saúde, mas ainda o fazem – o que também envolve prestígio e conveniência.
Não ria dos aldeões. Na Inglaterra, onde a privada que conhecemos foi inventada, as motivações para que as pessoas desejassem uma eram as mesmas. É o nosso trono. Que, aliás, como Rose conta, não promove a posição fisiologicamente mais adequada: agachados, como fizemos por milhares (provavelmente milhões) de anos, é mais saudável.
Estas e outras informações escatologicamente fascinantes, como a pergunta “papel ou bidê?” (bidê), em “The Big Necessity”. Esperamos que seja logo traduzido ao português. [via Overcoming Bias]
Mais
- Achieving the ‘good life’: Whysome people want latrines in rural Benin (PDF);
- Who Buys Latrines, Where and Why? (PDF);
- Rose George’s blog
Na semana passada comentamos duas pesquisas sobre sexualidade divulgadas na mídia. Uma, relacionando o ronco de motores à excitação (sexual) era muito duvidosa, já a outra possuía resultados curiosos e havia sido publicada em um periódico revisado por pares. Cientistas podiam adivinhar o histórico de prazer de mulheres apenas pela forma como caminhavam.
A publicação em um periódico científico contudo não garante infalibilidade, e a Dra Petra Boyton tece uma série de críticas ao trabalho sobre orgasmos e rebolados, incluindo o tamanho (da amostra), a possibilidade do vazamento de informações (questionando o duplo cego) e talvez mais preocupante, como a pesquisa tem uma curiosa tendência a promover o sexo papai-e-mamãe entre homens e mulheres como a maneira correta de manter relações.
Em um trecho, o estudo de fato sugere que uma mulher que não tenha alcançado o prazer pode simplesmente “ainda não ter encontrado um homem da qualidade necessária”.
Pesquisas mais isentas, envolvendo grupos maiores e sexualmente diversos – mesmo como grupos de controle – confirmarão, refutarão ou refinarão o estudo em questão. A própria Boyton, meio que brincando, convida os leitores (e leitoras) de seu blog a enviar vídeos para que ela tente adivinhar seu histórico sexual.
Neil Fraser montou este modelo colando 266 quadrados impressos a partir de imagens de ressonância magnética em 60 cubos de madeira. Ajuda a explorar diversas estruturas do crânio, e Fraser leva uns 20 minutos para montar de novo todas as peças misturadas.
A idéia é simples e genial para explorar o interior de qualquer modelo complexo em três dimensões. Alguém disposto a criar um modelo de corpo inteiro? Empolgaria mais que o velho esqueleto de laboratório escolar. [Nerdcore]
Cientistas atestam: carros de luxo excitam as mulheres (mesmo que elas não admitam). E você pode descobrir o prazer sexual de uma simplesmente olhando para seu rebolado. Quer saber mais? É claro que quer, revelações sobre sexo “comprovadas cientificamente” são irresistíveis. E por isso mesmo são comumente abusadas, como aqui. Apenas uma dessas duas histórias é apoiada por ciência de verdade. Pode adivinhar qual?
Na já clássica ilusão da mão de borracha, um brinquedo pode ser percebido como parte do próprio corpo através de um simples truque – confira o vídeo. E agora pesquisadores da Universidade de Oxford descobriram que a ilusão também age no sentido inverso: a mão, de verdade, que o brinquedo de borracha substitui na ilusão acaba tendo sua temperatura levemente diminuída.
O achado confirma a hipótese delineada pelos autores de que a regulação de temperatura do corpo pode ser manipulada ao alterar psicologicamente o senso próprio dos sujeitos. Vítimas de esquizofrenia, por exemplo, podem acabar baixando sua temperatura corporal em até um grau.
O pequeno espiritualista que existe em todos nós, inculcado pela cultura popular, talvez veja tal experimento com “explicações” como a de que o “espírito saindo” da mão faria com que ela ficasse “menos viva”. Mas essas são quando muito apenas metáforas que pretendem explicar o fenômeno sem realmente adicionar conhecimento verdadeiro.
A rigor, o que ficou demonstrado aqui é que a mente sim se relaciona com o corpo, o que em si mesmo não só é mais do que razoável, como já foi demonstrado de inúmeras outras formas.
Vale lembrar que, para empolgação dos “materialistas”, a ilusão da mão de borracha foi averiguada inicialmente com o auxílio de varreduras da massa cinzenta.
Uma pesquisa recente também demonstrou que o efeito é tão intenso e real que uma ameaça à mão falsa se reflete em uma reação automática do cérebro, como se o brinquedo de fato pertencesse à pessoa.
Reação detectada no cérebro, claro.
Imagino como este efeito da ilusão da mão de borracha se manifesta na variação com o corpo inteiro.
Referências:

Mencionando o acidente do vôo JJ-3054, a revista americana Popular Mechanics revisou os dados de todos acidentes com vítimas fatais ocorridos nos EUA desde 1971 para checar o mito de que seria mais seguro viajar nos lugares da parte traseira do avião. Ao contrário do que especialistas afirmam — indo da Boeing até oficiais da FAA e do Conselho Nacional de Segurança de Transporte — a Popular Mechanics descobriu que os dados de fato apóiam o mito:
A cabine traseira (assentos localizados atrás da asa) tiveram a maior taxa de sobrevivência, com 69%. A seção sobre a asa teve uma taxa de sobrevivência de 56%, assim como a seção à frente da asa. As seções de primeira-classe e classe executiva tiveram uma chance de sobrevivência de apenas 49%.
Mas antes que você passe a exigir voar apenas no último assento ao lado do banheiro e junto com os oficiais de bordo, é melhor entender um pouco melhor o que foi descoberto aqui. A revista analisou os dados de acidentes fatais nos EUA, já que dados de outros países costumam ser ainda mais escassos. E resulta que houve apenas vinte (20) acidentes fatais nos EUA desde 1971. É um número muito pequeno, e provavelmente pouco representativo de acidentes fatais em geral pelo mundo. A diferença entre as porcentagens — de 49% a 69% — também não é gigantesca, e sublinha novamente como os resultados não devem ser tomados com tanta confiança. Estudos analisando mais acidentes podem muito bem inverter a situação, ou mesmo endossar a opinião de peritos e especialistas, de que de forma geral realmente não há lugares mais seguros que outros em um avião.
E então, como se comentou em um fórum de discussão, “em termos das chances de realmente morrer em um avião, é talvez uma diferença entre 0,000007% e 0,000008%”. Voar seguramente é a forma mais segura de transporte no mundo.
Mas ainda seria a forma mais segura de transporte no Brasil? No ano de 2006, segundo esta tabela, houve em torno de 200 vítimas (mais da metade no acidente GOL 1907). No mesmo ano, o número de passageiros de avião teria sido de 102 milhões. Em torno de uma morte a cada 510.000 passageiros.
No mesmo ano, o número de vítimas nas estradas girou em torno de 160.000. Se a segurança nas estradas brasileiras fosse equivalente a dos vôos, mais de 81 bilhões de viajantes deveriam ter sido transportados nas estradas apenas no ano de 2006. Astronômico, mas nem tanto: cada brasileiro vivo deveria ter viajado nas estradas mais de 450 vezes ao ano. Não tão irrazoável, considerando que muitos viajam mais de duas vezes. Considere-se também que a grande maioria das vítimas inclui feridos, o número de vítimas fatais seria de 24.000, mais de seis vezes menor. O detalhe ignorado aqui é, claro, a distância percorrida: não deve ser preciso apresentar dados para convencê-lo de que o passageiro comum de avião costuma percorrer distâncias muitas vezes maior do que o viajante de estradas comum. Levando em conta as chances de sobrevivência pela distância percorrida — que é o que importa se você quer ir de um local a outro –, mesmo o ano de 2006, com uma tragédia aérea até então sem precedentes, foi um ano mais seguro para aqueles cruzando distâncias em aviões.
O ano de 2007 já contabiliza mais de 200 vítimas, mas a menos que ocorra um outro acidente de grandes proporções — e outro, e mais outro… — ainda será mais seguro voar. E estes são anos extraordinariamente perigosos nos ares: em toda a década de 1990, houve menos de 400 vítimas em acidentes aéreos (incluindo o acidente do Fokker 100 em 1996).
Ao escrever este post, dois dados me impressionaram. O primeiro é o de que, considerando o número de vezes em que você entra em seu carro ou em um ônibus e o número de vezes em que você entra em um avião, pelo menos no ano de 2006 e agora, 2007, as chances de sair vivo no Brasil são comparáveis talvez na mesma ordem de grandeza. Ir de carro até a padaria seguramente não é o mesmo que fazer uma ponte aérea, e considerar distâncias percorridas é necessário, mas não deixa de ser curioso. O outro dado que me impressionou é o de que segundo esta nota, a frota de aviões no país não só caiu (embora o tráfego tenha aumentado), como é relativamente ínfima comparada com a de carros ou mesmo ônibus. Ela caiu de 350 aviões em 2001 para 265 hoje. A frota de aviões civis no país é composta por duzentos e sessenta e cinco aeronaves regulares.
PS.: Devo ter cometido vários erros neste post, e corrigirei feliz qualquer um deles!
Atualização: Esta matéria do Terra tenta ser mais otimista, mas pelos números usados (47 milhões de passageiros nos 10 meses desde o acidente GOL, que somado com o da TAM resulta em 341 vítimas fatais) a situação parece muito pior: em torno de 1 morte a cada 140.000 viajantes aéreos. Isso porque consideraram exatamente o período com as duas maiores tragédias da aviação brasileira. Nesse período, aliás, é possível que tenha sido mais provável entrar em um carro e sair vivo do que de pousar a salvo de um avião — embora, como vimos acima, considerando as distâncias aviões ainda sejam mais seguros.
O Rodrigo Leme comenta em seu blog como esta deve ser a época mais segura para voar, devido ao aumento de atenção e medidas de segurança. Mas considerando a reação de autoridades, é provável que isso se aplique agora de forma significativa apenas aos responsáveis pela manutenção mecânica das naves e à TAM em particular.

