
Imagem de beleza hipnotizante… e ainda mais impressionante porque é apenas uma fotografia comum de um gato processada com um filtro de imagem. É arte computadorizada, artificial, sem o que os macacos pelados chamam de “alma”.
O filtro é o “Fractalius” para Photoshop, que diz que seus efeitos são “baseados na extração da assim chamada textura fractal oculta de uma imagem”, seja lá o que isso signifique. Modificando seus parâmetros, e dependente da imagem de origem, os resultados podem ser notáveis como o gato acima. O filtro tem resultados especialmente belos com animais de pêlo longo, pelo visto.
Fico fascinado porque intuitivamente, é como se esse filtro Photoshop processasse a imagem como nosso cérebro a processa. Extrai contornos, mas de forma mais sofisticada que os filtros comuns de imagem. Mas é apenas uma impressão intuitiva. Você pode conferir mais imagens processadas pelo Fractalius aqui, ou no Flickr.
Fato é que o gato processado ficou parecido com os famosos gatos estilizados de Louis Wain:
A arte de Wain, e em particular, as diferentes formas com que representou gatos em suas pinturas, é muito citada como um exemplo de como a doença mental teria afetado sua percepção. Ele foi diagnosticado, aliás, como esquizofrênico.
Mas reavaliações de seu caso sugerem que talvez o diagnóstico não tenha sido tão acurado, e principalmente, que a progressão de abstração em suas obras em verdade não é bem estabelecida.
Rodney Dale, biógrafo de Wain, conta que "ele “experimentou com padrões e gatos, e mesmo muito tarde em sua vida ainda produzia imagens convencionais de gatos, talvez dez anos depois de suas produções supostamente ‘posteriores’ que são padrões ao invés de gatos”.
Mais um gato fractalius para comparação:


Truck Bearing Kibble: quase tão bom quanto Perry Bible Fellowship.
“Nós propomos um método para estimar a forma tridimensional detalhada de uma pessoa a partir de imagens dessa pessoa vestindo roupas. A abordagem se valre de um modelo de formas de corpo humanas que é desenvolvida de um banco de dados de mais de 2000 varreduras. Mostramos que os parâmetros desta forma podem ser recuperados independentemente da pose do corpo”.
O paper? E, principalmente, vídeos? Imagens? Clique para mais.
Trabalho de Alexandru Balan e Michael Black da Brown University. Note que o banco de dados considera roupas íntimas como cuecas e calcinhas como partes integrais do corpo humano. [Raw Feed]
“A mais fabulosa descoberta feita pelos cientistas é a própria ciência. A descoberta deve ser comparada em importância à invenção da pintura nas cavernas e da escrita. Como estas criações humanas anteriores, a ciência é uma tentativa de controlar nosso ambiente entrando nele e entendendo-o a partir de dentro. E, como elas, a ciência com certeza representou um passo crítico no desenvolvimento humano que não pode ser revertido. Não podemos conceber uma sociedade futura sem ciência” – Jacob Bronowski
Pois se a mais fabulosa descoberta científica é a própria ciência, de forma auto-referente, este post atrasado para o Carnaval Científico é sobre como a ciência encontrou os limites de seus limites.
“A mulher à direita é mais atraente que a mulher à esquerda? A fotografia à direita foi alterada pelo "sistema de embelezamento" de um novo programa de computador que emprega uma fórmula matemática para alterar a forma original e gerar uma versão teoricamente mais atraente, mantendo o que seus programadores definem como "semelhança inconfundível" com o original”.
Traduzido do NYT: Software produz imagem do "você" ideal
O algoritmo tem sido desenvolvido desde 2006, e aqui vale indicar a página de Tommer Leyvand sobre seu trabalho, onde se podem baixar seu rascunho e mais imagens de demonstração, incluindo um vídeo. O paper final publicado na Siggraph deste ano (com mais um vídeo) também pode ser conferido aqui.
Contando a história do encontro com um renomado pesquisador do campo de inteligência artificial… que era criacionista, Eliezer Yudkowsky lança este parágrafo imortal no meio do ensaio:
“o fato inegável dos efeitos indescritivelmente gigantescos: condições iniciais e padrões em desenvolvimento cujas conseqüências ressoarão por tempos tão longos quanto as cadeias causais continuem até a Terra, até que todas as estrelas e galáxias no céu noturno tenham queimado ao ferro frio, e talvez muito além disso, ou pela eternidade até o infinito se as verdadeiras leis da física acabem permitindo tal.
Lançar nosso cérebro mortal deliberadamente a tal estágio, enquanto se desenrola na Terra antiga a primeira raiz da vida, é um ato tão além da ‘audácia’ que a palavra deve se incendiar, um ato que só pode ser evitado pelo conhecimento aterrorizante de que os céus vazios não oferecem nenhuma autoridade maior”.
De fato, este blogueiro que escreve aqui também é um devotado crente na idéia de que o desenvolvimento da Inteligência Artificial deve lançar uma compreensão de nossa própria consciência e “espírito” que colocará em cheque-mate todos os fundamentos religiosos – e em cheque boa parte dos éticos e morais.
Não que tais fundamentos já não tenham sido refutados ou questionados, evidentemente, todavia robôs espirituosos devem ser no mínimo algo um tanto mais engraçado que criacionistas usando antibióticos de última geração.
Não que eu tenha ainda a esperança de que isso extingüirá a religião, também. É mais provável que sejam criados robôs religiosos.
Enfim, leia (em inglês), o ensaio de Yudkowsky: Above-Average AI Scientists
Com vocês, o "Waseda Talker-5" pronunciando as vogais aiueo. O som não vem de nenhum alto-falante ou sintetizador, mas sim de cordas vocais de silicone e aparatos simulando órgãos humanos, de dentes à língua, passando pelo nariz. Ainda soa fanho.
Confira mais imagens e vídeos na página oficial do laboratório Takanishi, incluindo um vídeo do Waseda Talker-7, completo com óculos nerds.
A pesquisa tem uma venerável ascendência: desde o século 18 busca-se criar autômatos capazes de falar como nós, e um dos pioneiros na área foi o inventor alemão Wolfgang von Kempelen, mais conhecido pelo seu Turco Mecânico.
[via QL]

Olhe para os pontos acima. Não são aleatórios, de fato representam um padrão de importância fundamental para a computação, a tecnologia e a economia mundial. E embutem um pequeno, ou enorme, mistério.
Primeiro, o mistério, que deve ser o mais curioso. Olhe de novo para os pontos acima. Consegue enxergar algum padrão, alguma característica que se destaque? Algo como… uma série de linhas diagonais? É esse o pequeno, ou enorme, mistério.
E então, o que a série representa. É uma Espiral de Ulam, criada pelo polonês Stanislaw que, entediado, rabiscou-a em um papel (isso ele fez nas horas vagas, durante o trabalho inventou a bomba de hidrogênio e a propulsão nuclear por pulsos, entre outras coisas).
O grafo representa a série de números primos como pontos em uma espiral começando com o número 1 no centro e desenrolando-se a partir daí:

Ulam logo notou as diagonais que saltam tanto aos olhos, e surpreendeu-se, porque não se conhece qualquer razão trivial para tantas delas, que continuam ocorrendo mesmo quando a espiral é estendida a números incrivelmente grandes. Mistério.
Ou não? Você pode pensar a princípio que, como todos os números primos são ímpares — exceto o 2 –, é de se esperar que números primos adjacentes na espiral só o podem ser na diagonal. Na vertical e horizontal, números ímpares estão cercados por números pares. E estará certo ao pensar assim.
Contudo, números primos podem encontrar outros números primos a duas casas adjacentes em praticamente todas as direções. Também poderiam surgir padrões a partir daí, mas aparentemente, não é o que ocorre, pelo menos não de forma tão comum quanto as diagonais próximas.
Elas, por sua vez, se relacionam com uma curiosidade descoberta em sua forma inicial pelo prodígio Euler, de que o polinômio 4n^2 + bn + c gera uma grande quantidade de números primos a partir de números consecutivos. Por quê? Não há uma resposta clara para todas as soluções (para a de Euler, há um tanto), até porque — e este é o gigantesco mistério — não existe nenhuma forma trivial de gerar todos os números primos.
Os primos são um dos fundamentos da teoria de números e o pilar que permite a criptografia e, assim, a segurança de sistemas computacionais modernos. As chaves de segurança trocadas quando você usa o banco online só são seguras graças aos números primos. Há muitas curiosidades a respeito deles, e as diagonais na espiral de Ulam podem ser apenas mais uma, sem nenhuma razão em especial.
Ou não. Há diversas questões fundamentais em aberto na matemática, boa parte delas está relacionada com os primos e uma delas pode um dia explicar a espiral de Ulam. Em outras palavras, estas diagonais podem representar um padrão relacionado com alguma série de equações e termos que podem revolucionar a matemática, e quebrar todas as senhas de computador do mundo.
Seja como for, por enquanto já há pelo menos uma grande utilidade pública para a espiral. Com esta representação gráfica, qualquer um pode ver um padrão matemático que antes só era visível claramente a um prodígio fabulosamente extraordinário como Euler (como ele enxergou tal padrão, ninguém sabe).
Isso é tanto um atestado de nossa capacidade coletiva, como seres humanos, de reconhecer padrões — ver essas diagonais “saltando aos olhos” não é uma tarefa tão trivial — quanto nossa potencialidade individual fabulosa, representada aqui pelo gênio suíço. Para ele, não foi preciso desenhar.
Se isso por si só já não é fascinante, então apelemos para o “místico”. Arthur C. Clarke, anos antes de Ulam, descreveu o padrão diagonal nos primos. Mas o fez em sua obra de ficção científica, “A Cidade e as Estrelas”, sem jamais desenhar o padrão em si mesmo, sem nem mesmo desconfiar que o padrão de fato existia.
Perguntado muito depois sobre de onde havia saído aquele trecho presciente, Clarke respondeu que “depois de meio século eu não tenho idéia do que me fez pensar nisso“. Talvez nem Euler.
Mais:
- A whirlpool of numbers
Há muitas variações do “Cubo Mágico”, este malévolo e impiedoso objeto multicolorido inventado pelo húngaro Erno Rubik.
Rubik’s Mirror Blocks é uma especialmente interessante, espécie de Transformer que pode adquirir milhares (milhões?) de formas físicas diferentes. Apenas uma delas é um polígono regular. E sem nenhuma cor.
O apelo é muito mais estético, já que a dificuldade e as técnicas para solucionar o cubo permanecem exatamente as mesmas, enquanto manipular o cubo fisicamente se torna mesmo mais difícil.
Mas ao ver um desses caótico por aí, o impulso de resolvê-lo será muito mais irresistível ao obsessivo-compulsivo em todos nós. [Neatorama]
Deputydog compila links e imagens de várias estruturas hiperbolóides, estruturas eficientes mais conhecidas em torres de resfriamento de usinas nucleares (como as dos Simpsons), ou mesmo da Catedral de Brasília.
Aplicadas inicialmente pelo engenheiro soviético Vladimir Shukov, não perca as suas muitas torres hiperbolóides, incluindo seu sonho não realizado de uma torre de transmissão 50 metros mais alta que a Eiffel, usando apenas um quarto do material.
Sinceramente, pode não ser tão graciosa – parece uma daquelas terríveis árvores gigantes de Natal, que não são realmente hiperbolóides – mas qualquer torre com 350 metros de altura já valeria pelo tamanho.


