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“O carro foi roubado em junho passado em Lapua, a cerca de 380 km ao norte de Helsinki, e encontrado pouco depois a 25 km de distância. … Ao examinar o carro, os policiais acharam o mosquito e concluíram que ele havia picado alguém pouco antes. O DNA encontrado correspondia a uma amostra registrada nos arquivos da polícia. O suspeito, no entanto, nega ter roubado o carro e afirma que só “pegou uma carona”. O inspetor geral Sakari Palomaeki, que está à frente do caso, disse que esta é a primeira vez que a polícia da Finlândia usou um inseto para solucionar um crime. A promotoria agora terá que decidir se a evidência do DNA é forte o suficiente para apresentar queixa contra o suspeito”.
[da BBC: Polícia da Finlândia encontra ladrão com ajuda de mosquito]

A notícia é uma boa indicação de que a inteligência policial avança sobre a burrice criminosa. O suspeito fez o favor de confirmar que esteve dentro do carro. Mas apenas de carona, claro.

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Somos “parentes” dos macacos?
Tenho uma dúvida, pessoal… Todas as crianças hoje em dia aprendem que viemos dos macacos, que eles são nossos primos! Tanto que muita gente os chama de primatas… Mas aí, a Bíblia (que na qual eu acredito) nos diz que somos descendentes de Adão e Eva!”

Mais uma Tolice do Orkut. Caso tenha coragem, dê uma olhada no tópico no Orkut. Eu não tive.

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É o assunto de sonhos relacionados a um certo personagem de Krypton que usa a cueca por cima da calça: um animal capaz de captar energia diretamente do sol. No mundo natural, a habilidade não garante superpoderes, mas é um feito em si mesmo, bem real através da cleptoplastia.

O nome que parece de quadrinhos se relaciona com o radical grego que também dá nome aos cleptomaníacos, aqueles com compulsão por roubar. Isto porque a cleptoplastia é um fenômeno simbiótico pelo qual alguns animais se alimentam de algas, digerindo-as completamente mas conservando seus plastídeos, que continuam realizando fotossíntese por dias a meses. Simbiótico sim… mas também poderia ser chamado de roubo de cloroplastos. O animal adquire a capacidade de “viver de luz” roubando os plastídeos das algas.

Uma lesma-do-mar da espécie Elysia chlorotica, por exemplo, pode se alimentar de algas por duas semanas e sobreviver então o resto de sua vida – de um ano – sem se alimentar. Parece uma vida boa?

Infelizmente, não há almoço gratuito, mesmo se você fizer fotossíntese. Não é mera coincidência que a lesma-do-mar E. chlorotica se pareça com uma folha – porque a imagem no topo do post é do molusco, não de uma folha. Provavelmente uma adaptação, evolução convergente para que haja maior área para captar luz solar.

E as adaptações não páram aí. Não basta apenas roubar cloroplastos para sair fotossintetizando adoidado – o processo envolve diversas proteínas, e os genes necessários para codificá-las são, sem surpresa, naturais de plantas. Mas a complexidade da peripécia da lesma acaba de ser desvendada mais um pouco.

Uma equipe liderada por Mary Rumpho da Universidade do Maine publicou um estudo indicando que a lesma verde também “roubou” o gene das algas que come. Em uma Lamarckiana “transferência horizontal”, de alguma forma, em algum ponto de sua evolução, os genes pularam das plantas para os moluscos, permitindo que os cloroplastos realizem finalmente fotossíntese. Lamarck daria um sorriso, ainda que tal transgenia seja extremamente rara.

Agora, satisfazendo a dúvida que todos devem ter, a New Scientist também perguntou se algo similar poderia algum dia ser reproduzido em humanos. A resposta? Improvável. “Nosso trato digestivo apenas tritura tudo – cloroplastos e o DNA”, respondeu Rumpho.

Uma curiosidade é que o estudo foi editado por Lynn Margulis, bióloga notória por suas idéias sobre a origem de organismos eucariotos em nosso planeta. Não é tanto surpresa porque essa espécie de oba-oba com organelas, genes e organismos roubando, ou melhor, cooperando de maneira simbiótica é exatamente o que Margulis propôs em 1966.

A idéia de que a célula eucariótica, repleta de estruturas especializadas e complexas surgiu da união de células procariotas primitivas pode parecer óbvia hoje, mas seu trabalho original foi “rejeitado por quinze periódicos científicos”.

A propósito, Margulis foi também a primeira esposa de um certo sujeito chamado Carl Sagan. [via io9]

- New Scientist: Solar-powered sea slug harnesses stolen plant genes
- Proceedings of the National Academy of Sciences: DOI: 10.1073/pnas.0804968105

A Music Television volta a se interessar por música e lança o MTV Music, com arquivos de videoclipes que podem ser assistidos e embutidos legalmente em websites. Até então, vídeos como o acima funcionam, mas só até que o Google Video os remova (o Youtube automaticamente detecta o copyright e não permite embutir videoclipes).

Aproveitando, vai aqui o primeiro post compilando vídeos que lidam com a evolução – com grande “liberdade artística” (350 bilhões de anos?), mas que valem uma olhada.

Acima, “Right Here, Right Now” de Fatboy Slim e a seguir, “Do the Evolution” do Pearl Jam, via MTV Music, em um vídeo que esperemos que possa ser assistido nesta mesma página daqui a alguns anos.

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Durante a V Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, cujo tema este ano é "Evolução e Diversidade", o Coletivo Ácido Cético articulou-se com o Projeto Ciência no Planetário e organizou um painel completo sobre o Criacionismo e suas diferentes vertentes em constante confronto com a Ciência e o Ensino Laico.

Em pleno século XXI, o movimento ressurge com a denominação de Projeto Inteligente (Intelligent Design), uma pseudociência que traz novos desafios à comunidade científica em seus esforços de divulgação e educação.

Não perca essa oportunidade de conhecer um dos grandes embates da Ciência moderna às portas do aniversário de 150 anos da publicação de A Origem das Espécies, a ser comemorado durante o ano de 2009.

Local: Planetário da UFRGS (sala multimeios)
Datas e horário: dias 21, 22 e 23/10/2008, sempre às 19h

Confira mais detalhes e programação completa aqui.

E alguns ainda duvidam que somos parentes. O vídeo também apóia o rabiscado em O Macaco Gordo e o Nobre Selvagem.

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Com vocês, as conexões de um cérebro, ou pelo menos como elas podem ser capturadas através da técnica DTI. Ela rastreia o movimento da água pelo cérebro através de imagens de ressonância magnética, e através da tractografia, pode destacar a matéria branca dentro do cérebro.

“Penso que a técnica produz algumas das mais belas imagens na neurociência”, escreve Vaughan Bell no Mindhacks. “Você consegue ver as conexões do cérebro, desconectadas e suspensas no espaço”.

A imagem acima vem de um trabalho de Marek Kubicki. Bell indica ainda mais imagens de tractografia DTI via Google.

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Minhas criaturas Spore descobriram a teoria da evolução, e pararam de acreditar em mim :(

“Vamos ser racionais” “Deus está morto” “Eu fui abduzido”

hat tip Bruno Brambilla Belo

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Muitos devem ter ouvido aquela historinha sobre a capacidade de corvos contarem até quatro (consigo rastrear a origem da história pelo menos até Dantzig, 1930 [1]). Corvos são inteligentes [2], mas não sei até que ponto essa história é verdadeira. Papagaios cinzentos africanos, pelo menos, sabem contar [3].

E quanto a humanos? Como se saem em uma comparação numérica instintiva? Aqui tem um teste online para verificar sua habilidade: são exibidas por 200 ms (o tempo de uma piscadela) círculos amarelos e azuis de diferentes tamanhos. É preciso depois indicar qual das duas cores possuía mais bolinhas. Depois de 25 testes, a porcentagem de acertos considerada razoável é de 75%.

É um recurso relacionado com esta reportagem do NY Times: Gut Instinct’s Surprising Role in Math. A reportagem se baseia em um estudo publicado na Nature que mostra que a acuidade numérica não-verbal se correlaciona com o desempenho em testes matemáticos padronizados [4].

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[1]Dantzig 1930 - Number, the language of science. London. George Allen & Unwin, 260 pp.
[2]Emery & Clayton 2004 - The Mentality of Crows: Convergent Evolution of Intelligence in Corvids and Apes. Science 306: 1903-7.
[3]Pepperberg 1994 - Numerical competence in a African gray parrot (Psittacus erithacus). J. Comparative Psychol. 108(1):36-44
[4]Individual differences in non-verbal number acuity correlate with maths achievement

Do Takata, na Ciencialist.

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Na semana passada comentamos duas pesquisas sobre sexualidade divulgadas na mídia. Uma, relacionando o ronco de motores à excitação (sexual) era muito duvidosa, já a outra possuía resultados curiosos e havia sido publicada em um periódico revisado por pares. Cientistas podiam adivinhar o histórico de prazer de mulheres apenas pela forma como caminhavam.

A publicação em um periódico científico contudo não garante infalibilidade, e a Dra Petra Boyton tece uma série de críticas ao trabalho sobre orgasmos e rebolados, incluindo o tamanho (da amostra), a possibilidade do vazamento de informações (questionando o duplo cego) e talvez mais preocupante, como a pesquisa tem uma curiosa tendência a promover o sexo papai-e-mamãe entre homens e mulheres como a maneira correta de manter relações.

Em um trecho, o estudo de fato sugere que uma mulher que não tenha alcançado o prazer pode simplesmente “ainda não ter encontrado um homem da qualidade necessária”.

Pesquisas mais isentas, envolvendo grupos maiores e sexualmente diversos – mesmo como grupos de controle – confirmarão, refutarão ou refinarão o estudo em questão. A própria Boyton, meio que brincando, convida os leitores (e leitoras) de seu blog a enviar vídeos para que ela tente adivinhar seu histórico sexual.

[via Mindhacks, foto sxc.hu]

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