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Não bastou formular a Teoria da Evolução. Nem que sua teoria estivesse correta. Charles Darwin promoveu-a acima de tudo como um formidável escritor. A Origem das Espécies (PDF) é uma leitura surpreendentemente acessível, o que só se torna mais impressionante considerando sua relevância. Em retrospecto, que seja tanto seminal quanto acessível não deve ser mero acaso, isto é, que algo tão revolucionário seja exposto de forma compreensível a todo leitor educado com algum esforço explica em grande parte seu sucesso.

E que sucesso. Ben Zimmer, do Visual Thesaurus, vasculhou o Oxford English Dictionary para descobrir as contribuições do naturalista inglês para o léxico de sua língua. Darwin foi o primeiro a utilizar nada menos que 144 novas palavras. Em comparação, é em torno de um décimo das contribuições de Shakespeare. Nada desprezível. Abraham Lincoln, nascido no mesmo dia que Charles, e muito mais famoso por sua eloquência, é tido como fonte primária de uma única palavra (e uma nada notável, “Michigander”, um sujeito de Michigan).

Além de termos como seleção natural, filogenia e fertilização cruzada, o inglês que celebramos este ano levou a palavra “alfalfa” da Espanha para os anglófonos, garantindo um nome para um dos Batutinhas, assim como “rodeo”.

Vale notar que “a sobrevivência do mais forte”, como é mais conhecida em português, ou “a sobrevivência do mais bem-adaptado”, são expressões que Charles curiosamente não cunhou. O original em inglês é de Herbert Spencer, que comentou a seleção natural e sua relação com idéias econômicas.

A maior surpresa encontrada por Zimmer é sem dúvida como Darwin foi o primeiro a utilizar uma palavra para descrever os críticos religiosos de suas teorias. Em 1859, escreveu em uma carta:

“Que piada seria se eu lhe desse um tapinha nas costas quando ataca alguns criacionistas obstinados”.

Isso mesmo. Charles Robert Darwin foi o primeiro a utilizar o termo “criacionista”. “Creationism”, ou Criacionismo, já havia sido cunhado e Darwin não deve ter precisado de muito esforço para o neologismo. Mas ele o fez.

Mais algumas palavras cunhadas por Darwin podem ser conferidas nesta lista. Como Ben nota, “quem diria que Darwin foi também um pioneiro na evolução das palavras?” [via blog do irmão do Ben Zimmer]

O vídeo do modelo de Michael Right do mecanismo de Anticitera já é um dos mais vistos do canal de vídeo da NewScientist. Não é por menos, esta ilustre desconhecida peça do tamanho de uma caixa de sapatos é provavelmente um dos artefatos arqueológicos mais valiosos em todo o mundo.

Com mais de dois milênios de idade, o mecanismo inclui uma miríade de engrenagens, possivelmente um conjunto diferencial, e parte de mostradores com gradações bem definidas. É o mais antigo exemplo de um instrumento com mostrador. A sofisticação técnica envolvida no trabalho literalmente de relojoaria só seria vista novamente mais de mil anos depois.

Grosso modo, seria mesmo como encontrar evidências de aviões a jato na América pré-colombiana. Absurdo, inacreditável, e no entanto, real. Historiadores romanos de fato deixaram referência a mecanismos dessa sofisticação – e de fato, mesmo exatamente ao mecanismo de Anticitera – mas os historiadores modernos presumiam que eram exageros ou fantasias.

Em 79 AC, por exemplo, o orador e político romano Marco Túlio Cícero foi a Rodes, provável cidade onde o mecanismo de Anticitera foi construído, e descreveu em De natura deorum II:

“Suponha que um viajante leve a Cítia ou Bretanha o planetário recentemente construído por nosso amigo Posseidônio, que a cada revolução reproduz os mesmo movimentos que têm lugar nos céus a cada dia e noite o Sol, a Lua e os cinco planetas. Irá qualquer nativo duvidar que este planetário era o trabalho de um ser racional?”

A descrição de Cícero pareceria fantasia, mas agora indica a existência muito plausível de uma tradição de construção de planetários em Rodes. Por mais inacreditável que pareça, o mecanismo realmente existiu.

Escrevi um texto há alguns anos recheado de detalhes sobre o Mecanismo de Anticitera, e também traduzi na ocasião o artigo original de Derek Price a respeito. O artigo de Price é a referência a todos os interessados pelo mecanismo.

Carl Sagan costumava repetir que simplesmente descobrir que teríamos companhia em algum outro ponto do Universo já seria uma das informações mais importantes já descobertas pela ciências. Teríamos confirmação de que não somos únicos, que outras inteligências sobrevivem além da nossa, a despeito da capacidade tão tragicamente tentadora da auto-destruição. É aqui que reside a importância, e o alerta, do Mecanismo de Anticitera.

Como Price ponderava há exatamente meio século:

“É um pouco assustador saber que pouco antes do declínio de sua grande civilização os gregos antigos chegaram tão perto de nossa era, não só em seu pensamento, mas também em sua tecnologia científica”.

Talvez não seja mera coincidência que tão pouca atenção tenha sido dada ao mecanismo. Se há uma verdade inconveniente é que a ciência e tecnologia, por si só, não são capazes de evitar o colapso das mais sofisticadas culturas. O conhecimento fechado em caixas mágicas que leigos observam e mesmo historiadores registram com espanto e incompreensão é um indicador perigoso de que a relação simbiótica entre o avanço e acúmulo de conhecimento e a sociedade que permite tal não está andando muito bem.

Daqui a mil anos, historiadores podem descobrir surpresos que as referências de nosso tempo a caixas retangulares que como mágica acessavam um mundo de informação eram reais.

“A Evolução da Vida em 60 segundos é um experimento em escala: ao condensar 4.6 bilhões de anos de histórias em um minuto, o vídeo é um instrumento de tempo em si mesmo. Como um relógio especializado, proporciona uma noção de perspectiva. Tudo – da formação da Terra, passando pela Explosão do Cambriano até a evolução de camundongos e esquilos – é proporcional a todo o resto, mostrando a Humanidade em uma fração de segundo, quase indiscernível no transcorrer da história.

Cada evento na Evolução da Vida desvanece gradualmente ao longo do minuto, deixando traços tipográficos que ecoam até o tempo presente. Exatamente como nosso sangue ainda contém a água salgada de nossos ancestrais evolucionários mais antigos.”

Produzido por Claire L. Evans, este “minuto da vida” lembra o Calendário Cósmico popularizado por Carl Sagan, e como ele, pode começar um pouco lento, mas o final em compensação é repleto de ação. Vale ressaltar: o ritmo da passagem de tempo é constante. [via cgr v2.0]

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Mais sobre o magenta. Quando eu crescer quero ser que nem o RicBit [2].